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Vamos nos encontrar?

Por uma convergência cidadã

Por Célio Turino

Brasileiros e brasileiras. Um encontro do povo: índios, negras, brancos, amarelas, pardos, mamelucas, cafuzos, mestiças; mulheres, homens, gays, lésbicas, gênero, cisgênero e transgênero, de todas as cores, idades e identidades. Um encontro do povo que trabalha, estuda, brinca, produz, sonha, luta, vive e ama.

Vamos nos encontrar?

Mais uma vez, nosso país vive um ambiente de insatisfação letárgica. Acordamos em protestos e logo retornamos ao sono profundo, em um claro sinal de letargia econômica, social, ética, política e cultural. Nós nos colocamos e deixamos que nos colocassem neste estado de prolongada inconsciência. Agora precisamos sair dele.

Precisamos reagir!

E temos meios para isso, temos força, inteligência, inventividade e coragem. Nada justifica seguirmos sendo moídos, estraçalhados e comidos. Por isso precisamos encontrar um rumo, um futuro.

Precisamos nos encontrar!

Mas jamais encontraremos um rumo se permitirmos que os mesmos de sempre continuem nos apontando o caminho. Esses já mostraram do que são capazes (ou incapazes). Não cabe segui-los novamente, nem os atuais, que estão nos governos, nem aqueles que estiveram nos governos passados. Afinal, apenas se revezaram em servir ao deus dinheiro, ao deus mercado, ao deus poder. E entregando o povo em sacrifício. 

Podemos nos encontrar?

Por nossos próprios meios, por nossa própria análise, com nossa própria força. Só assim encontraremos um novo caminho. Com a nossa gente, com a nossa cara, brasileira, solar, misturada, compartida, solidária, justa e democrática.

Um encontro da alegria!

Em tempos de letargia e prolongada inconsciência, prosperam os aproveitadores e oportunistas, os brutos, os sem ética. Dos partidos políticos que se apresentam como força dominante, nenhum nos serve, só falam em privatizações e cortes de gastos sociais, louvando o mercado e mantendo privilégios. Estes e os demais são “Partidos Cupim”, cuja razão de ser é seguir “cupinzando” o Estado e o povo, não nos servem, apenas se servem. Incompetentes e corruptos, seguem preocupados apenas com suas ganâncias. É isso que os une, por isso não devemos nos unir a eles.

Com quem devemos nos unir?

Com os que não se rendem, os que não se vendem, os que respeitam o próximo, os que respeitam o planeta, os animais, os vegetais, a água, o ar, o solo, a vida e o futuro. O Brasil precisa deste encontro. Encontro dos “de baixo”, dos que sofrem, dos desvalidos, dos que têm coragem, dos lúcidos e honestos. Somos muitos e muitas. Somos a maioria. Apenas não nos vemos.

Precisamos nos encontrar e abrir nosso próprio caminho!

O Brasil pode ser bom e justo para todos. E para já. Este tem que ser o objetivo de nosso encontro, nada menos que isto. Buscando convergência, união, força e desejo. Os movimentos sociais que nunca abandonaram a sua gente; os movimentos por moradia, os sem-terra, os trabalhadores das cidades e do campo, as mães da periferia, os jovens da periferia, a juventude rebelde, os intelectuais e artistas que dedicam seus estudos e suas artes à emancipação humana, os índios, os quilombolas, os sem trabalho, os que “se viram”, os empreendedores honestos e as empresas com boas práticas, os trabalhadores, os que estão perdendo emprego, os que já perderam emprego, os aposentados e todos aqueles que buscam o ganho justo, sem exploração. Este é o nosso campo. Também há pessoas (muitas) em partidos políticos (poucos) que precisam estar juntas; queremos nos encontrar com as que não se rendem e que seguem ao lado do povo. Sem sectarismo, com generosidade para reconhecer autocríticas sinceras, mas também com coragem para dizer o que esteve errado, com quem queremos estar e com quem não queremos estar. Nosso caminho é o do campo democrático, progressista, popular, cidadão. Se comprometidos, coerentes e sinceros, há que estar juntos, pois o momento é de firmeza sem sectarismo e todos que não compactuam com o pântano político em que colocaram o Brasil precisar caminhar juntos.

Por um novo caminho, em que o povo esteja em primeiro lugar!

Há tanto por fazer, tanto por resistir, e também tanta experiência acumulada. São tantos movimentos, tanta luta comum, não nos cabe seguir andando cada qual em seu lugar. Há que juntar e unir.

Unamo-nos!

Por um Brasil melhor, sem preconceitos, em que todos possam viver em paz e da forma que melhor lhes convier, com boa moradia, bom transporte, boas escolas, ares e águas limpas, terra, pão, trabalho, arte e liberdade.

Precisamos nos unir!

Ativistas, militantes, sindicalistas, secundas, coletivos LGBT, ambientalistas, midialivristas, educadores sociais, feministas, ativistas pelos direitos humanos e também dos animais, jovens da perifa, das universidades; também os poucos parlamentares que seguem coerentes (há cada vez menos); as ocupações artísticas e generosas que se espalham pelo Brasil; as muitas e os muitos; as Comunidades de Base, as Igrejas progressistas; os Pontos de Cultura, a Educação Popular e a Economia Solidária; as ocupações por moradia, os assentamentos rurais; as aldeias e quilombos; as ruas, as fábricas e as universidades.

Precisamos nos conhecer mais; nos encontrar mais; nos escutar mais!  

Temos tanto a dizer uns para os outros. Temos tanto a lutar ombreados. Um sentindo a dor do outro; um sonhando com o outro; o mesmo sonho, a mesma justiça, pois justiça só há quando há para todos. Há muito por fazer e não temos mais tempo a perder. Nosso país não pode seguir sendo governado por patifes. Que seja pelas gerações que estão por vir, não temos o direito de nos render, de nos prostrar.

Por onde começar?

Por um encontro simples e sincero, com troca de experiências e busca de convergência. Uma CONVERGÊNCIA CIDADÃ, ao mesmo tempo ampla e firme, com coerência programática e princípios sólidos, feita de baixo para cima, de dentro para fora, com horizontalidade, autonomia e protagonismo social. Uma convergência pelo Brasil, pela justiça, pela democracia, pela igualdade, pela liberdade e pelo futuro!

Antes que não tenhamos mais tempo, vamos marcar este encontro? Quem se habilita a construir junto? Tem que ser para já!

PS – Publiquei este pequeno manifesto em 14/07/2015 (http://outraspalavras.net/brasil/turino-a-ideia-de-um-encontro-por-alternativa-popular/ ), pena que não encontrou o eco necessário. Agora, quando inicio a coluna Convergência Cidadã na revista Cidadanista, considerei por bem republicá-lo, apenas com pequenas alterações na forma, pois quanto ao conteúdo segue ainda mais atual e necessário. Quem sabe desta vez haja mais eco, mais encontro, também mais luta. Afinal, nunca é tarde para nos encontrarmos e retomarmos o caminho.

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