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Sócrates: cada vez mais moço

Por COLETIVO DEMOCRACIA CORINTHIANA

Nosso amigo e inspirador alçou-se ao gramado de cima em 2011, quando já contava 57 anos.

Nascera “Brasileiro” no nome, no glorioso 1954, ano do IV Centenário de São Paulo.

Magicamente, no entanto, o que sentimos é um Magrão cada vez mais jovem, cada vez mais menino. O nosso filósofo da bola rejuvenesce a cada dia.

Como jornalista, estive algumas vezes com Sócrates. Pareceu-me cada encontro uma quase eternidade.

Lembro de uma conversa com ele e Wladimir na cantina Famiglia Mancini, na rua Avanhandava, no centro de São Paulo, na virada do milênio.

Ele começou calado e, angustiado, pensei que não teríamos meia hora de papo. Logo, no entanto, ele pediu um vinho italiano. Descontraiu-se.

De repente, eram quatro e cinquenta da tarde e ainda estávamos lá, beliscando o pão italiano, falando de tudo: de futebol, política, literatura, amores e dissabores.

Se havia uma maior grande virtude em Sócrates era exercitar a projeção dialética, no modo hegeliano e no modo marxista. Ele tinha humildade e competência para projetar-se no interlocutor, valorizando suas dores, seus motivos e suas demandas.

Sócrates confessava-se seduzido para sempre ao corinthianismo. E nesse amor feito perene, sua joia era a torcida alvinegra, de forma especial os mais humildes.

Para Sócrates, o Corinthians era um Brasil compacto, com todas as suas pérolas de diversidade, problemas, desafios e talentos inventivos.
Em sua visão, nos anos 1980, o corinthiano não sabia bem o poder coletivo transformador que tinha.

Já em seus dias derradeiros, encontrei-o na TV Cultura, e ele havia remodelado sua percepção acerca do assunto.

Para ele, o Brasil do novo século, inclusivo, democrático, capaz de universalizar acessos, havia copiado o jeito de ser corinthiano. Sócrates via o corinthianismo como professor dos novos tempos.

No decorrer dos anos, nosso mais carismático jogador criticou o partido ao qual se filiara e reclamou elegantemente com o líder barbudo, mas sempre valorizou a mudança que reduziu a miséria e gerou oportunidades para os pobres, negros, índios, mulheres e jovens.

Segundo Sócrates, mesmo com todos os erros e tropeços, a experiência do governo popular era de sucesso e deveria ser aprimorada.

Naquele dia, ele repetiu o pensamento. A melhor esquerda do Brasil era aquela que copiava o corinthianismo, em sua fidelidade, em sua paixão, em sua solidariedade.
Cada Sócrates que conheci era melhor e mais jovial que o anterior, mais capaz de rir de si mesmo, mais capaz de rir com os outros, em vez de rir dos outros. Eram assim suas noitadas com outros amigos, como o jornalista Xico Sá.

Sim, Sócrates adorava o mar de bandeiras, o papel picado, o batuque, a alegria da Fiel. Segundo ele, isso era vida, pulsante. Era o que realmente valia a pena no futebol.

Nem vou dizer do Magrão jogador de futebol. Cansei de voltar tarde, a pé, do Morumbi ou do Pacaembu, na hora do apagão do transporte público, apenas para ver um toque de calcanhar, um lançamento no ponto futuro.

Sim, havia jogos em que Sócrates até desaparecia. De repente, no entanto, como um jogador de xadrez, antevia a jogada fundamental, segundos à frente.

Era o passe sensacional para Casagrande ou a tabela mágica com Palhinha. Do nada, o zero a zero virava um dois a zero, a impossível goleada.

O futebol brasileiro efetivamente seria melhor se os atletas pensassem mais, se lessem O capital, se fossem menos corporativistas, se ousassem pensar em políticas de inclusão popular.

Se assim vivessem, de modo holístico, certamente inventariam mais em campo, acertariam mais, proporcionariam espetáculos melhores, menos roteirizados, mais criativos.

Sócrates precisa, portanto, voltar urgentemente às mesas dos bares, ser amigo do peito dos corinthianos e dos brasileiros.

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