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Por um novo Congresso

Um novo Congresso é necessário, é possível. E pode ser pelo voto!

por ODED GRAJEW

Provavelmente você faz parte da gigantesca maioria da população brasileira que se envergonha do atual Congresso Nacional. E não é sem razão: nossos deputados federais e senadores deveriam legislar e fiscalizar o Executivo tendo como horizonte um Brasil justo, igualitário, democrático e respeitoso dos direitos humanos, uma sociedade pacífica, solidária e em aliança com a natureza, uma economia voltada para o atendimento das necessidades humanas e para a redução das desigualdades. Deveriam colaborar para que tenhamos uma administração pública avessa à corrupção, políticas públicas visando elevar os níveis de vida e de participação das grandes maiorias, exercício da iniciativa e da soberania popular nas grandes decisões, proteção dos recursos naturais, inserção soberana no concerto das nações.

Em vez disso assistimos a um Congresso Nacional dominado por bancadas que defendem interesses contrários aos interesses da maioria do povo brasileiro e que não representa essa maioria: os pobres, os negros, as mulheres, os jovens, os indígenas e as minorias discriminadas. Para cada grande decisão chantageiam o governo, legislam em causa própria e desviam para esse fim os recursos públicos de que depende o atendimento das necessidades sociais. O atual Congresso pauta seu funcionamento por práticas espúrias que desvirtuam o procedimento democrático de tomada de decisões, apequenam a instituição, reduzindo-a à função de homologador da vontade do Executivo, falseiam sua representatividade, desacreditam a instituição parlamentar e a própria atividade política e deslegitimam as decisões, uma vez que são tomadas por maiorias constituídas por meios inidôneos. Do total de parlamentares da atual legislatura, 238 respondem a algum procedimento investigatório no Supremo Tribunal Federal!

O resultado disso: somos os campeões mundiais das desigualdades sociais, 5% da população se apropria de 95% da renda e 10% das pessoas possuem 74% da riqueza. Por outro lado, 9%, que representa a parte mais rica, se apropriam de 70% dos recursos públicos. Temos a terceira maior população carcerária do mundo e a maior taxa de assassinatos. No nosso sistema tributário os pobres pagam proporcionalmente mais impostos que os ricos. Em geral nossos serviços públicos, como educação e saúde, são de péssima qualidade. Não é por acaso que as pessoas de maior renda pagam por serviços privados. E aí vai.

Diante deste quadro é fundamental o engajamento de organizações, lideranças e militantes da sociedade civil e candidatos éticos e progressistas numa mobilização para conscientizar os eleitores da importância do Congresso para o país e para a qualidade de vida dos cidadãos, bem como da necessidade de votar nos deputados e senadores com muita consciência e responsabilidade, estimulando os eleitores a pesquisar o currículo e as ideias de cada candidato usando os meios que a internet e muitos sites oferecem. Saber se o discurso eleitoral vendido na campanha eleitoral dos que buscam a reeleição virou verdade, descobrir quem de fato honrou nosso voto ou quem nunca mais o merece de novo. Na véspera de cada eleição para o Legislativo recebo muitas solicitações de pessoas que não procuraram se informar ou não têm consciência da importância do Congresso, querendo “dicas” para votar em deputado e senador. Isto não deveria se repetir.

Foi com estes objetivos que foi lançada a campanha Um Novo Congresso. Esta é uma campanha que deveria ser de todos que nela queiram participar, divulgando, sensibilizando, mobilizando. Para maiores informações acesse .
Nenhum dos atuais deputados federais e senadores foi enfiado goela abaixo de nenhum de nós. O atual Congresso Nacional é resultado exclusivo das nossas próprias escolhas. Nas eleições deste ano nosso voto pode mudar praticamente tudo. No dia 7 de outubro será possível mostrar nossa indignação e renovar para melhor o Congresso Nacional. Temos pouco tempo pela frente. Se é importante eleger um presidente da república comprometido com a justiça social e a democracia, é fundamental eleger um Congresso que represente também esses valores. Sem um Congresso digno, o futuro presidente ficará à mercê das mesmas barganhas que assistimos nos dias de hoje e não teremos, por exemplo, orçamentos e legislações que procurem reduzir nossas desigualdades, uma reforma tributária que faça justiça fiscal nem uma reforma que democratize de verdade e moralize nosso sistema político. Não adianta se iludir.

Um novo Congresso é necessário, é possível. E pode ser pelo voto!

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