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Entrevista: SÔNIA GUAJAJARA

A vice na chapa de Guilherme Boulos (PSOL) para a presidência da República fala sobre as expectativas da campanha, direitos da Mãe Terra e o que espera para o futuro do país

Por IVAN ZUMALDE

Como está sendo o dia a dia da campanha com o Guilherme Boulos e qual é a expectativa até o dia da eleição?
Eu e Boulos somos irmãos de luta, interagimos perfeitamente. Ele cobre algumas agendas e eu sigo outros roteiros. Às vezes coincidimos agendas mas no geral possuímos agendas complementares um do outro para dar conta de todos os processos de diálogos com os mais diversos setores da sociedade brasileira, privilegiando as organizações sociais, as periferias e os movimentos populares.

As pesquisas apontam entre 0 e 1% de intenção de votos. Você acha que os eleitores têm preconceito contra uma candidatura indígena com um líder dos sem-teto?
Nossa imagem ainda não foi altamente popularizada. Essa intenção nos diz muito. Afirma que já avançamos, porém precisamos intensificar agendas e construir estratégias de forma a ampliar nossa imagem e nossas propostas para o conjunto do povo brasileiro. Acredito que com os programas em rádio, televisão e internet vamos dar um salto significativo. É evidente que há certo preconceito de pessoas sobre nossa candidatura, as pessoas estão acostumadas a reproduzir seus representantes apostando na velha política. Por outro lado, por onde passamos somos muito bem acolhidos, recebemos o carinho das pessoas, a solidariedade de nosso povo, até mesmo porque temos fortes identidades com o povo trabalhador e a parcela mais pobre desse país, pois somos fruto da luta pelo combate às opressões e, pela emancipação e promoção do amor e de um Brasil sem desigualdade e ambientalmente harmônico.

Muitos dizem que essa candidatura é para abrir caminhos para esquerda e para o PSOL para as próximas eleições? Você tem essa visão?
Nossa candidatura é para abrir caminhos para o povo, e não apenas para um grupo ou nosso partido. Somos uma candidatura com programa construído de forma coletiva e colaborativa e acreditamos que apresentamos uma plataforma avançada para superar em definitivo a pobreza, a forme, a miséria, o desemprego e as opressões no Brasil. Somos o caminho da liberdade e do sonho por justiça.

Acredita que a ocupação de mandatos pela via institucional e partidos é uma forma eficaz de lutar pelos direitos dos povos originários?
Acredito que o respeito à institucionalidade verdadeiramente democrática é capaz de produzir transformações tanto para os povos indígenas quanto para o conjunto da sociedade brasileira, pois o que move as instituições são as pessoas. Por isso ocupar todo e qualquer espaço institucional permite que o Estado tenha mais responsabilidade e muito mais força para construir as políticas essenciais aos povos indígenas e aos mais pobres neste país.

Como seria a implantação de uma política baseada no Bem Viver frente a um sistema tão antagônico como o capitalismo? Acha possível ou visualiza uma grande ruptura?
As rupturas são essenciais para promover revoluções e transições. É por isso que nossa plataforma tem lado, o lado dos mais pobre e do povo indígena desse país. O Bem Viver não é uma filosofia isolada, é um novo sonho a ser buscado e temos como horizonte, a sociedade do Bem Viver. O Bem Viver não pode ser visto apenas como uma ferramenta nacional. Tem que ser construída nos diversos âmbitos, mas principalmente deve ser um acordo internacional. Afinal de contas, a manutenção da vida na terra depende essencialmente da Mãe Terra. Sem a natureza não há vida. Portanto, é possível construir um Bem Viver brasileiro ocupando os espaços institucionais e reorientando a ação do Estado em suas diversas faculdades de execução da política.

No eventual governo Boulos e Sônia, os direitos da Mãe Terra serão incorporados à Constituição?
Acredito ser um dos grandes desafios nosso à frente da presidência da República, pois os direitos da Mãe Terra são os princípios elementares de manutenção da vida humana.

Qual o seu sonho de futuro para o país?
Sonho em representar a verdadeira raiz cultural do povo brasileiro ao lado de Guilherme Boulos na presidência da República. Sonho com um Brasil que tenha amor e harmonia com a Mãe Terra, sonho com um Brasil sem preconceitos, sonho com um Brasil com moradia digna a todos e todas, com um Brasil em que nossas terras sejam demarcadas, onde homens e mulheres caminhem lado a lado, onde a população de LGBT viva com liberdade e respeito de todos, com um Brasil que ame o povo negro, um Brasil da liberdade, do amor e da verdadeira justiça e que a coisa pública seja regida por um valor essencial para promoção das transformações sociais: a igualdade. Sonho com um mundo da harmonia e com um planeta saudável na plenitude da palavra. Sonho com uma sociedade do amor entre seres humanos e natureza.

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