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Inspiração e resistência

Em entrevista exclusiva à Cidadanista, Eduardo Suplicy, o vereador mais votado da história da cidade de São Paulo e representante histórico do Partido dos Trabalhadores, fala sobre comunicação com eleitores, cartas a Michel Temer, aversão do cidadão à política e a esperança de ver seu legado de transformação social implementado pela renda básica da cidadania

Por Ivan Zumalde

Como conscientizar o cidadão sobre a importância da política institucional na conquista de uma cidadania mais plena?

SUPLICY: É importante que esclareçamos a população e todas as gerações de quão importante é a participação na vida política. A política é a ciência de como alcançar o bem comum, uma vida justa para todos, conforme Aristóteles nos ensinou. E para que haja uma vida justa para todos é necessária a justiça política, a justiça distributiva que torna mais iguais aos desiguais. Então é importante que as pessoas percebam que aqueles que se dispõem a participar da vida política, estão expressando vontades e representando a população. Para isso, obviamente, é necessário o contato dos cidadãos, dos eleitores com aqueles que estão exercendo o mandato. E é responsabilidade minha, agora como vereador eleito, estar muito atento ao que constitui a vontade da população e estar sempre em contato com as pessoas.

Além da conscientização da população pela política, é importante também a mobilização das pessoas para exercer a política…

SUPLICY: Sim, sempre que há alguns assuntos de grande repercussão, como o assunto do impeachment da presidenta Dilma, a luta por eleição livre direta… Eu, por exemplo, se fosse senador, teria votado contra o impeachment. Cheguei a propor que Michel Temer convocasse um referendo e que, caso a população dissesse sim, ele poderia chegar até 2018, mas se a maioria dissesse não, então ele deveria convocar eleições livres e diretas o quanto antes.

Mas como não vemos uma situação nesse sentido, qual seria a melhor maneira de o cidadão ser ouvido?

SUPLICY: Bom, eu já escrevi ao presidente Michel Temer, carta assinada por centenas de estudantes e professores com essa proposta. Acho que todos os brasileiros e brasileiras podem fazer o mesmo. E a cada decisão incorreta que for feita, precisamos reforçar, esclarecer e deixar claro que essas decisões não estão certas. Se necessário fazemos o movimento nas ruas para que os objetivos de democratização e de melhoria de bem-estar da população possam ser alcançados.

O senhor é conhecido como um mediador de conflitos e um interlocutor de muito diálogo. Neste momento em que o campo progressista perdeu muito, o que a esquerda deve fazer para se unir e ganhar protagonismo novamente?

SUPLICY: Acho que precisamos divulgar quais são os projetos mais importantes que podem unir a todos nós. Dentre os quais, a renda básica de cidadania, o direito de toda e qualquer pessoa, independente de sua condição, de participar da riqueza comum de nossa nação através de uma renda que, com o tempo, com o progresso do país, será suficiente para atender às necessidades vitais de cada um. Eu escrevi por três anos 34 cartas a presidenta Dilma Rousseff para que ela constituísse um grupo de trabalho para estudar as etapas previstas na Lei 10835 de 2004 e sancionada pelo presidente Lula em 8 de janeiro de 2004 para implementar a renda básica de cidadania no Brasil o quanto antes.

As iniciativas como o Podemos na Espanha e a RAIZ no Brasil podem ser uma alternativa à crise de representatividade que vivemos no sistema político?

SUPLICY: O Podemos é um partido que nasceu dos inúmeros movimentos sociais e, se você olhar o programa do Podemos, lá está a defesa da renda básica universal de cidadania

Qual a esperança que o senhor vê para o futuro do país? O que esperar de 2018? 

SUPLICY: Eu acho importante que, sobretudo, os jovens se interessem mais e mais pela política e percebam que, se eles não o fizerem, há aqueles que se interessam e acabam tomando decisões que podem contrariar o que eles avaliam como melhor para o país. É importante alertar a todos para participar democraticamente e também lembrar a todos o quão bom é a democracia. Não podemos permitir de maneira alguma qualquer regressão a formas não democráticas de poder.

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