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Entrevista: Criolo

Em entrevista para à Cidadanista, o rapper Criolo fala sobre meninos mimados no governo, esperança nos jovens e o poder da arte de fazer despartar os oprimidos

POR IVAN ZUMALDE

Fale como seu novo trabalho Espiral de Ilusão e as mensagens das músicas do álbum têm ressonância com o atual momento do País?

Descreve um tanto de sentimentos que me visitam ao perceber que as pessoas são tratadas de modo diferente. Em meu caso, no extremo sul da zona sul de São Paulo, cresci com o amor de meus pais e com as aulas de criatividade que a resistência da sub-existência  exige de cada cidadão.

Você participou do “SP pelas Diretas Já” no Largo da Batata. Que mensagem sobre a importância da democracia quer passar?

Me junto ao tanto de jovens de minha geração que lutam contra a perda dos poucos direitos conquistados com muito sofrimento e luta.

Como vê a força da cultura e da música despertando a população oprimida em busca da cidadania?

Algo sublime que leva oxigênio e reflexão.  As artes são sim força infinita nesse e desse gesto, parte esmagadora da população oprimida tenta acordar a população não oprimida sobre os fatos .

Acredita que a política institucional é o único instrumento para o povo conseguir seus direitos ou vê novas formas de rearranjo da própria sociedade civil?

Acredito que já é tarde deste modo e outra forma deve surgir.

Como acha que a população da periferia vê o estilo do prefeito Dória de governar? Ele é um “menino mimado” regendo nossa cidade?

A população da quebrada é a população da cidade na parte esquecida e da parte esquecida com seus porquês bem definidos.  Acho que aos poucos a visão se expande e se percebe as peculiaridades do dono da sala ou do campinho de futebol. Em resumo, o dono da bola que leva a bola embora se o jogo não acompanhar o curso de seus desejos. Não posso responder algo tão grandioso, mas sei que nosso povo não é prioridade real aos seus regentes.

Quais caminhos enxerga hoje – e que não sejam pelo poder do Estado – para levar oportunidades reais para a população da periferia?

Erradicar a corrupção em todas as instâncias já seria um bom caminho. Sem isso, tudo de bom se enfraquece, e dar suporte real a cada pessoa /coletivo que já dedica a vida para a melhoria de sua comunidade.

É fato que o Congresso precisa ser renovado por um plenário mais cidadão. Você descartaria uma atuação sua no Legislativo no futuro?

Descarto.

Qual mensagem deixaria para os ativistas dos movimentos sociais que lutam na resistência?

Vocês são inspiração total. Eu cresci vendo minha mãe na sua luta por melhorias no bairro e por valorização real de cada cidadão utilizando arte, cultura e educação como ferramentas.

Qual sua esperança para o futuro?

Nossos jovens são minha esperança. Mesmo com todo o caos não lhes falta amor.

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