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A USP é preta

Movimentos de luta da causa negra conseguem vencer o apartheid dentro da USP e conquistam o direito das cotas raciais dentro da Universidade de São Paulo.

Depois de muita luta, a vitória. Embora seja uma pequena conquista frente a tantas demandas dos negros, o último dia 4 de julho vai marcar um feito histórico para os movimentos sociais negros e para toda a sociedade brasileira. “A aprovação das cotas raciais na USP foi uma grande vitória contra o racismo estrutural e que sempre negou a presença negra nos espaços que garantissem maior justiça e igualdade dentro da sociedade”, afirma Douglas Belchior, fundador e professor da Uneafro-Brasil. A partir de 2018, a Universidade de São Paulo vai iniciar um processo seletivo que visa garantir metade das vagas para alunos vindos da escolas públicas, das quais 37,2% serão para pretos, pardos e indígenas. Esse percentual está longe de equiparar a exclusão desses estudantes nas universidades, mas a política de cotas representa um avanço e uma quebra da lógica seletiva que vigorava dentro da tradicional universidade paulista. “A USP é um grande referencial do apartheid brasileiro, inclusive por ter sido uma das últimas no Brasil a se render à política de cotas”, afirma Belchior, que também participa de outros coletivos da causa negra, como a Frente Alternativa Preta. Além do maior acesso que as cotas irão garantir para a população afrodescendente, a adoção dessa política pela maior universidade do país traz para o centro do debate a presença do racismo em nossa sociedade. “O Brasil deve ao povo negro e indígena muito mais do que políticas afirmativas. Precisamos fazer com que o racismo seja uma pauta nacional e que seja discutido com a seriedade que merece”, afirma Belchior.

“Nossos sonhos dependem de uma realidade social que não nos garante a realização desses sonhos. O sonho de ter uma casa própria, condições de educação decentes, um trabalho digno. De uma distribuição de riqueza e de justiça que nunca vivenciamos no Brasil”, finaliza Douglas, que vive e sonha em ver o país ser governado por um projeto de poder popular e mais representativo.

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